Não entendo a performance. Não no sentido de não apreciar ou não decodificar trabalhos. Eu nunca entendi a classificação performance. O corpo enquanto signo é uma das primeiras abordagens que ouvi falar: interpretamos o corpo no espaço e, daí, abstraímos para pintura, escultura, qualquer linguagem. Ou utilizamos o corpo em um determinado período e espaço para fazer teatro.
Pra mim, a performance nada mais é do que a evolução da escultura clássica. Se o imortal escultor exaltou-se com sua obra-prima e a ordenou “PARLA!”, a escultura hoje se mexe, interage socialmente e, às vezes, balbucia uma ou outra coisa. Falar é muito difícil.
Surgiram algumas novas classificações na arte durante os anos 60 e 70. As mais ilustres são instalação e performance, que até são ensinadas como disciplinas básicas no burocrático pensamento acadêmico. O espaço, matéria prima por excelência da escultura, deixa de ser o velho conjugado forma/conteúdo e passa a ser continente; o corpo toma autonomia em relação à narrativa. Mas, ao tentar definir meu último trabalho, esbarrei em outra delas: um entrevistador que analisa e atua no sistema de arte e de cultura não pode ser chamado de performance, já que é um trabalho contínuo, virtual, textual. A descrição de linguagem mais próximo foi “inserção em circuito ideológico”, do mestre Cildo Meirelles.
Daí me veio à mente Allan Kaprow, falando sobre o a-artista e Homo Ludens sobre o fim do jogo/fim da partida. A arte, ao meu ver, é um mapa da complexidade da sociedade em que ela foi produzida. Um jogo de pesquisas de linguagem, sofisticação de discursos. Dado que era uma época pós-guerras, Europa e EUA produziam as mais diferentes pesquisas, criando novas percepções. As velhas classificações, apesar de alicerce das atuais, traziam pesos históricos que eram inconvenientes para estas novas abordagens. Entendo estas classificações (performance, instalação, arte postal, inserções em circuito…) como pequenos memoriais descritivos que, mais do que focar para alguma linguagem específica, visava desviar a leitura do foco antigo.
O lado triste é: continuamos produzindo novas estruturas complexas de linguagem ou estamos de ressaca deste período de inovação, utilizando dos seus recursos sem criar novos?
Para conhecer mais meu trabalho que mencionei, visite http://georgealbuquerque.com
ps: irônico, 1 semana após decretar a morte do blog, produzo um texto maior do que qualquer outro já postado!